O crescimento do número de evangélicos na Suíça tem despertado a atenção de sociólogos, porque, ao contrário do que geralmente os analistas seculares afirmam sobre o crescimento evangélico nos países subdesenvolvidos ou emergentes, onde o fenômeno também acontece, a Suíça tem alto padrão de vida e mesmo assim a população tem sido atraída para igrejas pentecostais.
No início do século 20, o número de pentecostais no mundo era de 52 milhões. Hoje, são quase meio bilhão de pessoas. E no dia de domingo, as igrejas evangélicas pentecostais atraem duas vezes mais pessoas do que as igrejas tradicionais no país.
Os sociólogos europeus argumentam que a razão para tal crescimento na Suíça se deve a outro fator: enquanto nos países pobres as pessoas se interessariam pelo Evangelho por causa da pregação sobre a interferência de Deus na vida cotidiana, na Suíça as pessoas estariam atraídas pelo discurso de ter uma relação pessoal com Deus. "Na nossa sociedade bastante individualizada, marcada pela solidão, a idéia de ter uma relação pessoal com Deus, de crer que Ele responde às orações, que pode curar as doenças e provocar milagres, responde a uma necessidade espiritual. Além disso, a maneira bem moderna de celebrar o culto atrai os jovens", explica Olivier Favre, que é professor de Sociologia das Religiões em uma universidade suiça.
Em entrevista ao portal Swissinfo.ch, Favre falou também sobre a aproximação dos evangélicos na política e da forma como esse crescimento tem afetado a sociedade daquele país. Ainda sobre o crescimento das igrejas evangélicas, ele cita que muitas missões no país aproximam os imigrantes de suas culturas locais. "Essa progressão deve-se igualmente e bastante à imigração e ao surgimento das igrejas chamadas de 'étnicas', bem presentes nas cidades. Essas igrejas são de lugares de apoio a imigrantes, onde eles encontram a música e o idioma que lhes lembra o país de origem", argumenta Favre.
Mas, apesar do crescimento evidente, Favre não acredita que esse fenômeno possa barrar o crescimento da secularização na Europa. "Os evangélicos não poderão reverter a secularização. Ao mesmo tempo, não estou seguro que o retorno aos valores tradicionais seja massivo na população", diz o sociólogo, esquecido de que a expansão do Evangelho nunca está atrelada apenas a fatores sociais, mas também, e sobretudo, à ação divina.
Fonte: Jornal Mensageiro da Paz, Janeiro 2012