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TESTEMUNHOS
Preso no Crime pelas Drogas, Ele foi Liberto pelo Evangelho |
Sua vida perdeu o rumo ainda muito cedo, mas quando parecia não haver mais saída, Cristo o encontrou e transformou
O menino José Carlos Brito dos Santos, recém-chegado da Bahia com sua família, se deparou com o novo lar sem nenhuma perspectiva de melhoria de vida. Muito jovem e sem opção, ele abandonou os estudos e lançou-se ao mercado de trabalho sem especialização a fim de ajudar no orçamento de casa. Seu exemplo é mais um capítulo da história de vários menores brasileiros que, ao se depararem com a dura realidade da falta de oportunidades, acabam por trilhar os obscuros caminhos da criminalidade. E foi justamente a falta de amparo social que fez o retirante se deparar com a encruzilhada da dor e da solidão.
" Eu nasci em 17 de Julho de 1961 e, quando cheguei em Guarulhos, fui morar na comunidade Santa Cecília. Abandonei a escola quando cursava a 4a série primária e fui engraxar sapatos e tomar conta de carros. Quando completei 14 anos, fui apresentado à maconha, logo passei a consumir drogas mais fortes como a cocaína. Mais tarde, aos 19 anos, eu já era íntimo do crack. Até os 30 anos de idade, a minha vida se resumiu ao consumo de drogas, prisões, humilhação e roubos", relata José Carlos.
Ele conta que perambulava pelas ruas consumindo drogas e, ao voltar para casa, encontrava a sua mãe chorando. Nessas ocasiões, ela dizia para o filho que aquela indignidade não era modelo de vida para ninguém, mas, apesar disso, José Carlos não dava ouvidos aos conselhos maternos e tornou-se ladrão. Aos 23 anos, o rapaz pasosu a cometer furtos à mão armada. Por causa disso, foi preso por três vezes por furto. A sua atuação era uma maneira de manter o consumo de drogas.
" Eu utilizava o produto do roubo para sustentar o meu vício e por isso eu via a minha saúde definhar. Quando eu me colocava diante do espelho, o que eu podia ver era um homem feio, magro e com aspecto de abandono. Mas, como eu já tinha sido preso e na cadeia eu tive que me filiar a uma facção criminosa a fim de sobreviver, optei pelo PCC. Quando consegui a liberdade, eu tinha que roubar também para sustentar os companheiros que ficaram na prisão. Caso eu falhase e acabasse preso novamente, poderia ser morto na penitenciária", confessa.
José Carlos assumiu o "compromisso" com o crime organizado quando ele permaneceu detido no antigo complexo penitenciário Dacar 4, no bairro de Pinheiros, na capital paulista, que hoje corresponde ao Centro de Detenção Provisória 4 e pertencia à Secretaria de Segurança Pública (SSP). Depois, o complexo foi transferido para a Secretaria de Administração Penitenciária.
" Permaneci preso por três vezes nesse local. Na primeira vez, fiquei nove meses detido, pois não tinha registro policial; na segunda vez, um ano e dois meses; e na terceira, um ano e oito meses; mas, na quarta vez em que fui levado para lá, permaneci quase dois anos detido. Mais tarde, fui transferido para o presídio Franco da Rocha, onde o prisioneiro desfruta do regime semi-aberto, e foi nesse local que encontrei os crentes que acabaram por me evangelizar. Quando fui solto, voltei para o crime e às más companhias", detalha. " Por ser alguém ligado ao PCC, intimidava os moradores de minha comunidade; eu era um soldado do crime e 'resolvia os problemas na bala', quando um morador delatava a nossa atividade, logo eu ordenava a destruição da moradia da vítima, mas eu ordenava que três classes de pessoas fossem contempladas no local: crianças, idosos e evangélicos", ressalta.
Como na maioria das vezes, José Carlos permanecia sob efeito dos alucinógenos. Ele acabou sendo atropelado e, enquanto estava deitado aguardando o resgate, escutou uma voz que afirmava que o Senhor estaria com ele e que não se preocupasse. Quando voltou para ver quem falava, não encontrou ninguém.
O pastor Clóvis Pereira de Souza, na época dirigente da congregação em Santa Cecília ligada ao ministério da AD em Garulhos (SP), liderada pelo pastor José Wellington Costa Junior, o evangelizou. O pastor Clóvis foi remanejado para a filial em Jardim São Manuel. Na época, ele procurou um lugar adequado para implantar o projeto "Minha Esperança", ligado à Associação Evangelística Billy Graham, que tinha como objetivo a maior colheita de almas de todos os tempos na história do Brasil. O pastor foi recebido com hostilidade pelos bandidos da região, mas José Carlos ordenou aos bandidos que abaixassem as armas. Esse contato resultou em constantes visitas de José Carlos à igreja, pois aceitou o convite dos crentes a fim de participar dos cultos na Assembléia de Deus.
" José Carlos começou a comparecer aos cultos acompanhado de uma jovem, que logo se converteu ao Senhor Jesus, mas José permanecia obstinado, apesar de solicitar oração para mim. Algumas vezes, quando terminava o culto, o homem pedia que eu não fosse embora. Nessas ocasiões, eu orava em seu favor. Mas, um dia, eu pedi que viesse lúcido, pois comparecia drogado ou bêbado. O resultado foi que, no ano de 2008, em plena campanha do 'Minha Esperança', aquele temível bandido se rendeu aos pés de Cristo. Hoje, é um verdadeiro evangelista", jubila o pastor Clóvis.
Antes mesmo da conversão, José Carlos, já tocado pela mensagem do Evangelho, costumava dizer ao pastor que tivesse paciência com a sua situação, pois um dia seria um servo de Jesus Cristo. Atualmente, o irmão José Carlos não é nem sombra do antigo "soldado do crime" que causava terror nas pessoas ao seu redor. Ele abandonou completamente as fileiras do crime, foi liberto das drogas e exerce hoje a profissão de ajudante de pedreiro. Durante os cultos na Assembléia de Deus em Santa Cecília, ele louva ao Senhor por todos os seus benefícios.
" Eu era um homem perdido, mas hoje sou uma nova criatura e sirvo ao Senhor Jesus. Antes de minha conversão, eu andava por caminhos que me conduziam à perdição".
Fonte: Mensageiro da Paz, Abril 2011. |
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